Arquivo mensais:junho 2013

A MAIS NOVA ASNEIRA QUE VI NO FACEBOOK ‘PÓS-PROTESTOS’: JOAQUIM BARBOSA É SANTO.

joaquim

Vá lá, com toda minha má vontade com uma parcela considerada dos mais novos ‘conscientes cidadãos brasileiros’ (motivo pelo qual não pretendo voltar tão cedo para ler qualquer coisa no Facebook – vou ficar aqui no meu blog, compartilhando meus posts, mas de greve por lá). Foi a gota d’água, embora tenha lido asneiras maiores.

Antes de detoná-la, eis o que segue na mesma linha:

Joaquim Barbosa é o preferido para presidente entre manifestantes de SP, mostra Datafolha

(http://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/brasil/2013/06/21/joaquim-barbosa-e-o-preferido-para-presidente-entre-manifestantes-de-sp-mostra-datafolha.htm)

uma ‘pesquisa’ que é a maior forçar a barra que já tinha visto recentemente pela imprensa.

 

A ‘pesquisa’ merece ser comentada, mas meu objetivo é mais simples. Vejam a pérola que andou circulando no Facebook:

Se tirarmos Dilma, M.Themer,R.Calheiros e o pres. c. dep,sabe quem assume? JOAQUIM BARBOSA esse sim!

Alguns complementam a cretinice, citando a Constituição Federal (vi em um caso, uma citação errada. Ao invés do art. 81, citava-se o 80, nos dois casos, o indivíduo não sabia ler ou agia de má fé).

Além de o Batman do STF não ser santo e essa maravilha toda com que foi pintado pela mídia em particular e pelos desesperados depois, em caso de vacância (e isso só imagino com um golpe), eleições teriam que ser convocadas. Mas não preciso esticar muito essa conversa, porque quem posta uma m* dessa não vai entender o que estou dizendo mesmo. Provavelmente é alguém que só porque conseguiu tirar a bunda do sofá uma vez na vida e se empolgou por ‘participar’ de um protesto, já acha que pode dar golpe a vontade. Esse que não suou absolutamente nada para trazer o Brasil de volta à normalidade democrática, que não enfrentou tempos terríveis na Ditadura Militar, que, provavelmente, jamais participou seriamente nem da reunião de condomínio, imagine de um sindicato, de uma associação, ou de qualquer grupo de interesse coletivo. É provável também que a pauta de uma criatura dessas seja tão pequena como ele.

A idéia é propor um impeachment? sobre que pretexto?

A presidenta do Brasil, a primeira mulher presidente do Brasil, foi eleita com mais de 56 % dos votos válidos, incluindo o meu. O Joaquim Barbosa está no STF graças ao Lula, sem ter precisado de outro voto que não o do ex-presidente. Se é para dar golpe, esse mesmo mané que fica excitado por participar de um ‘manifestão’, achando-se agora o suprasumo da cidadania, mas que é apenas uma reedição brasileira do Homer Simpson, vai ter que enfrentar grande parte desses que elegeram a presidenta, mais aqueles que entendem o significado de democracia.

Por essas e outras, continuo dizendo, que tenho medo de massa.

Vejam o partido que deseja ter entre seus quadros o Joaquim Barbosa:

Partido Militar quer Joaquim Barbosa candidato a presidente em 2014

(http://www.folhapolitica.org/2013/05/partido-militar-quer-joaquim-barbosa.html)

 

O BRASIL ESTÁ NAS RUAS? PUÁ

Já ouvi de tudo durante esses dias em que manifestações ocorrem no Brasil afora.

Todos já sabemos. A mídia se perdeu, acusou manifestantes e exaltou a política. Partidos de todas as cores foram de um extremo a outro, sem saber, seus representantes, o que, de fato, dizer.

Outro dia, ouvi a manifestação dos senadores que estavam presentes no dia em que a primeira ‘manifestação’ ocorreu em Brasilia e os ‘manifestantes’ chegaram ao Congresso Nacional: não tinha um que não exaltasse as ‘qualidades’ dos manifestantes e fosse um democrata de nascimento, até mesmo o senador José Agripino.

Na Câmara, salvo um corajoso, não ouvia-se nada que destoasse do bla bla bla que só ressalta que nada se entendeu e que está tudo bem, porque o povo isso, o povo aquilo…. e aí já começou a aparecer o discurso do ‘é culpa do’, culpa do PT, culpa da Dilma, culpa do Lula, culpa do Alckmin, culpa do Haddad (recém eleito, mas a culpa é dele, claro). A culpa é do sistema político, do Executivo…. da Copa, da corrupção….. uma esquizofrenia, tal como a que se apresenta nas ruas.

Palavras: revolta, indignação, protesto, sentimento, reivindicação, rua, falta de liderança, falta….
Em blogs e no facebook, não está melhor. Um milhão de profetas, um milhão de bobagens. Os jornais começam a colocar as mangas de fora mais uma vez.
A aposta é pelo caos, apesar da tentativa de outros (os políticos inclusive) de não exagerar na dose. O caos interessa, 2014 está aí, batendo à porta.
A ideia de crise é fundamental (Noami Klein, e sua Doutrina do Choque, caem muito bem aqui), pois na crise tudo se pode fazer, inclusive reverter um quadro desfavorável para quem pretende manter-se no ou chegar ao ‘poder’. Mas a maioria sabe disso (e o que transparece do pouco que consegui ler antes de enjoar), parece que está tudo bem assim mesmo. Isso me deixou encucado, ou eu me enganei e a massa é mais inteligente e sensata do que imaginava ou, muito pior do que acreditava, ela é mais irresponsável ainda (o que é redundante, claro).
Não tenho esperança alguma sobre a persistência do que está aí na rua. Sou cético, já disse (um amigo afirma que isso é preguiça ou comodismo). Esse papo de que esse é um novo tempo, que esse é um movimento que é a cara do nosso tempo, da juventude, que o ‘gigante acordou’, bla bla bla. Bobagem.
Nem é o povo que está na rua. Quantas greves já vimos? quantos manifestos gigantescos em Brasília e em São Paulo ou no Rio de Janeiro já vislumbramos? O MST?

Toda semana há uma infinidade de grupos organizados dentro do Congresso Nacional. Que há de novo?

Além do fundamental (que não ignoro, de jeito nenhum, ao contrário), que é mostrar que a capacidade dos brasileiros de em alguns momentos, poucos que sejam, conseguirem dizer a uma só voz que o Brasil vai mal em muita coisa; que temos tolerado os maus políticos e os maus empresários, mas que já está na hora de colocar o Brasil no lugar que merece (e todos têm certeza de que isso é possível, principalmente quando os recursos públicos forem adequadamente empregados, quando políticos e empresários forem impedidos de sugar a máquina e os recursos públicos, de que é possível ter serviço público de qualidade e que empresários e governo levem menos do nosso dinheiro), o que têm a mais grande parcela dos que estão indo às ruas mais recentemetne:

Tempo livre, acesso à internet, um punhado de servidores públicos que podem ‘matar serviço’ , muitos jovens que podem apenas estudar (em quantidade nunca antes vista nesse país, diria o barbudo) e que tem muita disposição para fazer-se presente (o que é ótimo), gente bem alimentada, muitos bem malhados (tempo livre também para as academias de todo tipo), algum tédio.

Não, não está tudo bem.

O Brasil melhorou muito, mas somos um país que é amador e que não consegue alçar voos mais altos por conta da corrupção, evidentemente, e também por nosso amadorismo, por uma nossa herança maldita: coronéis de todo tipo que se multiplicam Brasil afora e que dominam municípios e estados inteiros, consumindo recursos como vampiros. Sobre isso, não há nada novo, não há um grito novo. E não é esse exatamente o grito que ouço nas ruas, infelizmente, pelo menos não é o grito mais alto.

Não acredito em massa. Nunca acreditei e não vejo motivo para acreditar agora. A massa é perigosa, embora seja útil, sempre é útil para alguém. Não ficaria também impressionado quando e se anunciassem a primeira morte durante os ‘manifestos’. Massa não pensa e esse ‘movimento’ já se transformou em massa.

O único consolo é que as pessoas se cansam e já não vão mais querer perder seu chope, sua novela, seu lazer ou as férias de julho… embora agora seja também uma espécie de hobbie ‘participar’, inclusive para depois postar fotos no facebook, nada melhor do que se mostrar fazendo parte…. ou fazer comentários bem bacanas…embora em quantidade igualmente babaca.

Azedo.

Contra ou a favor da PEC 37/2011?

Você que se diz contra a PEC 37/2011 é capaz de defender essa posição sem ficar repetindo os ‘mantras’ que circulam por aí – produzidos sob medida para não termos que analisar a questão ?

Ou sua posição é fruto de a analise da proposta e realmente conseguiu ver no texto tudo que os mantras nos fazem repetir quase como uma prece?

Já ouviu os argumentos contrários, ou seja, a favor da PEC?

Parabéns, se você se encaixa, pois eu não conheço ninguém assim.

Mas se você não leu, eis a oportunidade:

http://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=969478&filename=PEC+37/2011

e o substitutivo do deputado Fábio Trad:

http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1044684&filename=PRR+1+PEC03711+%3D%3E+PEC+37/2011

 

Não sou petista II (mas voto na Dilma)

Não sou petista.

serra morreu

Tenho muitas críticas ao PT. Não sou mais filiado (fui). Empolguei-me com o Partido. Acho que ele foi e é fundamental para a história do Brasil recente (para a democratização, para as conquistas que o mundo todo reconhece hoje. Pela mudança de rumo em termos de distribuição renda.

Decepcionei-me, um milhão de vezes, inclusive com o Lula. Com a história do ‘mensalão’ (sou daqueles que acredita que foi um julgamento político, cheio de manobras, não isento e sobre o qual só teremos um olhar menos carregado em um futuro distante. Mas não desculpo e não admito as cretinices, as alianças, o desespero por fazer qualquer coisa para a manutenção do ‘projeto’ do PT. Admirava o Genoino, e, por isso mesmo, não compreendo o lugar dele nessa história. SEi que não enriqueceu, assim como outros, mas nenhuma justificativa vai tirar a mancha dessa triste história – e não é porque outros fizeram, ou porque há, de fato, um ‘mensalão’ do PSDB. isso não importa).

Não sou petista.

Respeito muitos políticos da oposição, por sua inteligência e aparente coerência (porque só temos a aparência para julgar).

Não votarei, acredito que jamais, no PSDB, no DEM e nos partidos que aqui e ali abrigam todo tipo de moralistas, conservadores, (certos) empresários. Minha simpatia continua à esquerda (não vou discutir o sentido disso): PDT, PCdoB, PSB, PSol, PT, claro.

Apoio o governo Dilma e desejo sua reeleição. Depois, em 2018, acho que o quadro será outro, é o que desejo.

Cheguei a pensar que o Aécio estaria lá, em 2018. Hoje desejo que a sina dele seja a mesma do Serra. Não sei quem virá. A Marina perdeu minha simpatia faz tempo. O Eduardo Campos mostrou-se “esperto” demais. Ciro Gomes é muito inteligente, mas meio maluco. Quem virá? Não sei, mas torço para que os conservadores (e não vou perder tempo definindo isso) não tenham força para eleger um dos seus.

Não sou petista, mas não tenho motivo para ODIAR o PT, o Lula, deputados petistas (alguns, como outros de todos os partidos, são uma nulidade, mas nisso não são píores nem inovaram).

Ah! sim, O partido está no governo. Faz exatamente o mesmo que fez o PSDB quanto estava no comando da Nação. E nem tudo é bonito, do meu ponto de vista.

Ressinto-me de não ver qualquer tentativa de ir em outra direção e incomoda-me que o PMDB esteja sempre à sombra.

Mas não sou petista.

Meus candidatos na última eleição não foram todos petistas, mas todos de esquerda.

No primeiro turno para o governo do DF, não votei no Agnelo, por causa de seu vice (eca!), mas contra o Roriz (Wesley = Joaquim), tapei o nariz e, no segundo turno, lá estava eu.

Não sou petista.

Não simpatizo com vários políticos petistas, alguns, para mim, são intragáveis.

Tenho ‘amigos’ petistas. Militantes, que participam do ‘governo’. Alguns deles estão completamente “fora da realidade”, politicamente estão bem distantes de mim.

Há incompetentes de todo tipo também, do primeiro ao último escalão do governo, local e federal. Não gosto da forma como loteia-se cargos no governo. Não é invenção do PT, eu sei, mas dizem que piorou com ele (outros dirão que melhorou), o fato é que não está certo.

Sim” tenho críticas. Inclusive sobre o que parecia mais caro ao partido e que tanto me fez admirar seu projeto. Mas não sou ingênuo ao ponto de acreditar que o ‘real’, o ‘estar lá’, não teria impacto sobre o partido e sobre seus membros.

Hegemonia? essa é uma possibilidade real e não seria a primeira nem a última vez na história (mundial).

Não ou petista.

Mas não acho que o Lula seja o demônio, nem que represente o “de pior”. Ao contrário, ele é um lider político importante e representativo (os adjetivos negativos não ajudam e, para mim, só indicam nosso complexo de vira latas e o desejo de emergentes que não se querem ‘representados’ (agora é moda usar a palavra) por um presidente operário (e não um acadêmico), é vergonhoso).

Ele, Lula, sabia do ‘mensalão’? ignoro. O FHC sabia da compra de votos para a PEC da reeleição? ignoro.

O Lula é grande, mas muito menor do que aquele que conheci no final dos 80 e início dos 90, mas ainda é o Lula.

Votarei na Dilma. Até farei campanha se necessário. Irei às ruas contra qualquer tentativa de golpe. E não preciso ser petista para fazer isso.

 

Não sou petista I, mas voto na Dilma

Tucanos disfarçados, que não falam mal do Serra, nem do FHC, muito menos do Aécio, apesar de tudo que se sabe deles (mas, claro, que é tudo invenção).

Aquele que diz não ser fã de Reinaldo Azevedo, nem do Noblat, mas não perde a oportunidade de postar textos ‘inteligentes’ dos dois quando expõem o governo e, principalmente, o PT. Odeia o Paulo Henrique Amorim e acha o Nassif um fariseu. A Carta Capital é petista até a alma, dirá.

Ah” está certo! “nada a ver”. Isso não é indicativo de adesão neoliberal ou militância partidária. Claro, esse é aquele tipo ‘autêntico’, lúcido, que não se desvirtuou. Coerente, que se mostra, que não perde nem raiz nem o juízo. Que consegue perceber o que os demais não conseguem.

Certo. Lucidez (e um pouco de rancor, claro).

O dia em que descobri quem eu sou II

Continuo comendo arroz, feijão, abobrinha refogada, frango/galinha cozida (a mineira)…

Continuo visitando o Guará, onde cresci, onde moram meus pais, onde tenho irmãos e amigos.

Vou ao Recanto das Emas, Samambaia, Taguatinga, Valparaiso, Paranoá, Varjão, onde tenho amigos, sobrinhos, irmãos.

Não tomo cerveja porque não gosto, não é por não ser (eu) popular. Não tomo cachaça pelo mesmo motivo, assim como não tomo Whisky. Bebo vinho e aprendi alguma coisa sobre ele, mas não ‘cheiro rolhas’, nem me importo em saber mais nada além do básico sobre vinhos, os amigos se especializam e eu aproveito.

Sou atormentado por querer aprender algo novo a cada dia, tenho que ler, e não me ‘atualizar’, inclusive para me ‘permitir dar aula’. Mas não idolatro ninguém. Isso vem no pacote de ‘defeitos’ de fábrica: até hoje, velho, luto para moderar minha ‘falta de respeito à autoridade’. Resisto, por certo, a abandonar certas ideias e posições, mas por também ter outro defeito: lutar contra a leviandade. E preciso ser convencido, mas não hesito voltar atrás e me desculpar e admitir engano e exageros.

Sou resistente a críticas, mas aprendi a lidar bastante com isso e, novamente, dou o braço a torcer quando me vejo errado, quando processo a crítica e me flagro ‘na resistência’.

Sou cabeça dura, mas flexível o suficiente para manter-me ‘ajustado’ sem vender a alma.

Eu não sou o meu passado. O passado é uma ficção, importante, mas não é tudo que somos. Do meu passado não esqueço, apesar da culpa que tantas vezes assalta – como se tivesse abandonado um projeto. Em grande parte, não seria o que que sou (isso não é tão banal e evidente assim) sem algumas das experiências da juventude. A religião foi importante. A experiência de grupo foi importante. Acreditar em um ideal e dirigir energia e tempo para sua consecução foi fundamental. O encontro com as pessoas foi imprescindível. Mas não sou o meu passado. Não esqueço daquilo que fortaleceu minha alma, minha percepção, o sentimento de solidariedade contra toda e qualquer injustiça, esse impulso, ‘quase cego’, pelas ‘vitimas’, essa tendência à esquerda, esse desejo de fazer parte da história do continente, de querer entender nosso lugar na história, por outro vies…. o passado é/foi fundamental, mas não sou meu passado, nem pelo que acertei, nem pelos erros que cometi. Isso é parte de mim, mas não sou eu. Em grande medida melhorei, por outro lado acho que piorei em muita coisa, mas até o momento da morte, ainda posso me reinventar, ou não?

Tenho medo da hipocrisia, da má fé. Mas não estou isento de visitar esses lugares terríveis, apenas tento ficar atento.

Não tenho mais fé. Não acredito na religião, seja ela qual for, como crente. Não me esforcei para isso, aconteceu. Não sou anti-religioso (mas tenho cada dia mais pavor de certos religiosos e de certas expressões religiosas). Tenho amigos e parentes religiosos, fieis, cheios de fé. Não os invejo, apenas um pouco, de vez em quando. Não faço propagando disso. Não sei se há mérito, nem se isso é qualidade. Apenas estou/sou assim hoje. Não julgo e não quero ser julgado por isso. Não piorei ou me tornei uma má pessoa por isso, ao contrário, sinto-me mais obrigado a tentar, pelo menos tentar, ser melhor.

Tenho medo da hipocrisia, mesmo essa da qual não damos conta. Queremos viver bem, queremos ter o melhor, queremos viajar, poder consumir nossos ‘brinquedos’ (sejam carros, bugigangas eletrônicas, jogos de todo tipo, instrumentos musicais, “discos”, roupas, livros, bebidas, equipamentos fotográficos, comida…. e dispenso os carros, as roupas, os jogos/consoles, as bebidas, mas confesso que algumas bugigangas, um bom violão, discos e livros caem bem…. mas isso tudo é muito burguês, não é?)

Claro, tenho amigos que dispensam a maioria desses ‘brinquedos’ e se contenta com bem menos, esses são meus ídolos e me refreiam, mesmo sem saber. Mas abandonei a culpa. Agora tento manter vivo um projeto.

Morar bem também às vezes parece um peso, principalmente quando seus próprios parentes não estão tão bem assim. Mas cansei de sentir culpa por isso também, até porque o custo disso não é pequeno e o peso idem. Chamo de sorte o que acontece comigo, inclusive por ter um projeto com outra pessoa que não me permitiu menos, que me exigiu mais, sem exigir, por outro lado, ser diferente.

É! tudo isso porque hoje me senti assim, desnudado, pela metade. Uma caricatura de mim. Se é para que vejam uma caricatura, que seja eu a desenhá-la.

 

O dia em que descobri quem eu sou

edipo

Engraçado isso. Trabalho pra cacete, inclusive sábado. Raramente me dou o direito de uma folga durante a semana (quando ela ocorre é para resolver problemas, não para tomar cerveja, dormir ou alguma coisa agradável como essa). Tenho sido professor (gostaria de sê-lo em tempo integral, embora às vezes deseje o contrário). Preparo minhas aulas com sacrifício pois só tenho as noites e o final de semana para fazer os ajustes, atualizar-me, prover o outro com discussões atualizadas, o mais interessante possível. Os alunos têm sido em sua maioria jovens, que incentivo, incansavelmente, a saírem da inércia, a não se identificarem com a figura do indivíduo autocentrado, que não quer participar de nada. Além disso, com meus filhos não é diferente,  são outros turnos, outra batalha, cerco total para que estudem, que aprendam, que sejam corretos…. estudar com eles, pesquisar com eles….

Estou estudando (ideia de girico). Preciso terminar uma pesquisa, me resta a madrugada e quem sabe uma licença minguada.

Ainda sobra tempo para atividades na universidade, organizar encontros e fazê-los acontecer, sem ganhar nada com isso, salvo a esperança de que alguns alunos sejam afetados pelo que se está discutindo, apresentando, convidando. A próxima semana acadêmica que iremos organizar, coincidentemente, tratará do Estado Brasileiro. O objetivo é sempre colaborar com a ‘educação política e ética’ (se posso dizer) dos alunos com quem lidados a cada semestre. E, apesar de alguma descrença, a gente vê coisas interessantes acontecendo, jovens aprendendo a pensar, projetos sendo implementados, jovens se animando em participar, mas também em melhor compreender o mundo em que estão inseridos. Isso dá trabalho e não recebemos muito incentivo institucional para continuar fazendo o que fazemos.

É um saco ficar falando da gente, do quanto somos isso ou aquilo, eu sei, nem era minha intenção primeira. Já paro.

Assim como eu, muitos da minha geração já foram militantes ativos, seja em partidos políticos, seja em sindicatos, seja em associações (culturais, de moradores, profissionais….), em igrejas ou grupos religiosos, no movimento estudantil, colaborando com certos movimentos sociais…. grande parte está perdida, como eu me senti perdido – e ainda em grande medida, à medida em que a democracia foi se consolidando no país. Seja porque muitas demandas já não faziam mais sentido (ou pensávamos que não fazia mais), seja pela pressão de todos os lados por um ‘pacto’ pela institucionalização, eleições tem ocorrido sem interrupções, os partidos políticos se multiplicaram e ‘estabilizaram’…. por outro lado, ideais socialistas são mal vistos, os sindicatos se tornaram braços dos partidos, os partidos perderam sua identidade, restou praticamente o Movimento dos Sem Terras e o movimento indígena, se posso dizer. O desânimo tomou conta, uma certa descrença, uma sensação de que fomos derrotados e que ficamos sem alternativas. Agora esse desanimo, essa descrença, essa sensação terrível de derrota vai sendo administrada (e sei que é assim com muitos) e a energia vai sendo dirigida para outras coisas.

Por outro lado, assim como o país melhorou, como a vida de muitos melhorou, a minha também. Mais que nunca sei que faço parte hoje de uma parcela mais que privilegiada da população brasileira. Outrora, isso só aumentava o mal estar, mas hoje tento não me sentir culpado por isso.

Por quê toda essa introdução? É que hoje, praticamente fui ‘acusado’ de ser um bunda mole, preguiçoso, insensível e acomodado (cooptado pelo ‘sistema’ talvez),  que ainda têm a cara de pau de defender o indefensável.

Porque sou (estou) cético quanto o que está acontecendo hoje no país? Porque não me empolgo? Porque disse que não vou mais a nenhum protesto (o de ontem, ainda acompanhei em parte, para concluir que não era para mim, posso?)?

E olha que não preguei contra, não fiz críticas. Ao contrário, acho que isso é muito, mas muito melhor do que a inércia, motivo pelo qual tenho incentivado a participação, a organização (e muito antes disso tudo eclodir). Mesmo com a desconfiança que tenho, sempre tive – mesmo quando estava fazendo piquete, mesmo quando estava protestando, de MASSA. É um conflito que vou enfrentar a vida toda, acredito. Não acredito na MASSA. E como saber que já não viramos massa, que estamos lá gritando ‘crucifica-o’?  Sem ir às ruas fica difícil se fazer visível, por outro lado, não acredito que uma revolução vai acontecer neste país. Já vimos isso em outros momentos. O Sarney, por exemplo, nos comprou com vale-transporte e ticket leite, acabou o panelaço, e não se fala mais nisso.

E o fato de eu afirmar que, embora não apoie mais o PT incondicionalmente, como já fiz no passado, apoio o governo Dilma, só piora o meu lado. Aí virei o quê? Porque, apesar de muitos motivos contra, ainda prefiro ver o Lula como uma liderança positiva (e não um simples demagogo, aproveitador, o diabo travestido de anjo), como alguém importante pelo que conseguiu fazer (se podia fazer mais, se podia ter feito diferente, se deveria ter optado por outro tipo de aliança, se é possível que soubesse mesmo do ‘mensalão’, acho que sim, mas não acredito que ele seja um anjo, um santo, mas não é satanás, nem é meu ‘chegado’).

Sou um retardado, alienado, ignorante, talvez maluco…. uma das pérolas, não dita, mas insinuada, é a de que talvez tenha vendido minha alma, encantado com as benesses com que uma certa classe de emergentes se identifica, talvez por não ‘beber cerveja’, mas preferir vinho, por frequentar restaurantes ‘da moda’, requintados, ter aprendido a comer ‘comida chique’, frequentar ‘certos ‘ lugares, ter amigos diferentes (que não têm vinculo com o passado e o lugar de ‘onde’ viemos)… ter-me vendido, virado a casaca…. ou, ainda, porque talvez venha insistindo (mesmo com tudo contra) em continuar estudando, que me tornei teórico demais, que vomito autores e ideias de terceiros que não se sustentam na realidade, na realidade das pessoas simples (que não mais sou, claro), então o quadro fica completo: metido a besta, pedante, “integrado”…..

A culpa é minha evidentemente.