Arquivo mensais:janeiro 2014

Realidade (Álvaro de Campos)

rbd-fernandopessoaSim, passava aqui frequentemente há vinte anos…
Nada está mudado — ou, pelo menos, não dou por isto —
Nesta localidade da cidade …

Há vinte anos!…
O que eu era então! Ora, era outro…
Há vinte anos, e as casas não sabem de nada…

Vinte anos inúteis (e sei lá se o foram!
Sei eu o que é útil ou inútil?)…
Vinte anos perdidos (mas o que seria ganhá-los?)

Narcisismo das pequenas diferenças (Freud)

freud“(…). Segundo Freud, nosso ego é espontaneamente inclinado a rechaçar críticas, reprovações e discordâncias feitas por iguais em pertença social, religiosa, étnica, política etc. No caso da credulidade, essa tendência se torna hiperestésica. O mais curioso, porém, é que o julgamento daqueles que são notoriamente desiguais, em geral, incomoda pouco o sujeito crédulo. O fosso que existe entre as crenças dos dois faz com que ele trate o opositor como um ignorante ou um inimigo cuja opinião deve ser desqualificada. Outra coisa é a relação com os iguais em crenças. Aqui, o pretexto da ignorância não faz sentido. O opositor conhece tanto quanto o crédulo aquilo em que ele acredita. Para o crédulo, portanto, a dissidência só pode ocorrer por motivo de má-fé, competição, desejo de humilhá-lo ou qualquer outro sentimento do mesmo teor. A dúvida do parceiro de crença é interpretada como um acinte, uma tentativa de rebaixar o valor daquilo que ele valoriza. Em suma, como um ataque à sua imagem narcísica. O resultado é o revide raivoso, as rivalidades fraticidas, que, no mais das vezes são vistas como despropositadas, incompreensíveis ou ridículas por aqueles que não partilham as crenças dos litigantes.20140101-221002.jpg

Para a justiça, isto é letal, pois o crente ingênuo nunca se satisfaz em “fazer justiça a si”. Sempre racionaliza o autointeresse como sendo um dever universal de todos. Ao fazer isso, obviamente, se choca com as regras do funcionamento do consenso e com o respeito à perspectiva do outro. A saída é o desprezo pela persuasão e o emprego da violência para trazer os incrédulos e os desgarrados para o bom caminho”.

(COSTA, Jurandir Freire. O ponto de vista do outro. Rio de Janeiro: Editora Garamond Ltda, 2010, p. 71-72)

Em Freud, o conceito é tratado pelo menos em:

FREUD, S.  O Tabu da Virgindade. Em FREUD, Sigmund. Obras completas, v. 9.
São Paulo: Companhia das Letras, (1918/2013).
______.  Psicologia das massas e análise do eu. Em FREUD, Sigmund. Obras completas, v. 15. São Paulo: Companhia das Letras, (1921/2011).
______. Mal-estar na civilização. Em FREUD, Sigmund. Obras completas, v. 18. São Paulo: Companhia das Letras, (1930/2010).

Sintomas (em 2005 parecia fazer sentido…. ainda faz, para mim)

thescreenPara a psicanálise, a angústia nasce com o desejo que, por sua vez, entra na história do sujeito como a descoberta de uma falta…. não se deseja o que já se tem, mas aquilo que nos falta. A angústia surge da impossibilidade de o desejo ser satisfeito, da Lei que proíbe um certo gozo….

Sempre podemos transgredir a Lei, mas não eliminá-la. Portanto, a culpa pela transgressão certamente marcará o sujeito, junto com a mesma angústia, que, no máximo, ficou suspensa, mas que retornará – uma vez que o gozo jamais ocorre plenamente. Essa falta em nós jamais é preenchida, sob o risco de não sermos mais nós mesmos.

Teoria (e talvez interpretada equivocadamente por mim aqui). Penso nas angústias de fato – que conseguimos assim classificar ou que os outros detectam em nós…. desconheço alguém que não tenha se angustiado algum dia.
Talvez o termo ‘angústia’ seja enganador, já que o utilizamos habitualmente para indicar coisas várias senão esse sentimento de desafio de saber de seu desejo e da impossibilidade de gozá-lo…. não importa, a pergunta que me faço agora e que deixo no ar é: Sabemos nomear nosso(s) desejo(s)?

Quando nossa esperança e projetos são conduzidos por indicadores econômicos e nossos heróis são tecnocratas

pobres_tontosQuando, dia após dia, vemos os “resultados” da política econômica neoliberal, disseminada como “receita” única para os “problemas” do mundo, particularmente dos países “em desenvolvimento”, recém democratizados etc (outrora, “subdesenvolvidos”, para alguns de nós: colonizados, dominados, periferia, Sul – vocábulos quase proibidos para toda uma geração de novos “cientistas” sociais e “analistas” (políticos, econômicos….);

Quando a “receita” que nos oferecem como garantia de “retomada de crescimento”, de possibilidade única de “desenvolvimento”, “receita” que também era garantia para o FMI e para o BID, e que, agora mesmo, foi metida goela abaixo para certos países europeus, com “resultados” que, em geral, indicam banqueiros e financistas seguros de ganharem cada vez mais, serviços públicos limitados, demissões, desemprego…. pobreza….;

Quando a palavra mágica, “austeridade”, é usada como sinonimo dessa “receita” e se apresenta caminho único, e tornam-se preocupação onipresente “indicadores” que não entendemos (ou que teorias nos fazem crer compreensíveis, descritivas), fantasmas e ameaças para nós, o que bem sabem manipular, políticos e mídia….;

Quando esses resultados, que se “escancaram”, que se “apresentam” para nós na forma de violência e afronta a direitos, na forma de um dissimulado, mas pesado, “estado de exceção”, na forma de desesperança para milhares de crianças famintas, desnutridas, sem futuro, desespero para milhares de jovens e adultos que veem o pouco que tinham ser-lhes roubado, suas terras, seu trabalho, suas irmãs, seus irmãos, suas esposas, seus maridos, seus filhos, sua dignidade….;

Quando, diante desse quadro de guerras sem fim, campos de refugiados, campos de concentração, genocídio, racismo, obesidade mórbida e raquitismo convivendo (muitas vezes num mesmo país, cidade, bairro), desflorestamento, riqueza e miséria, pedofilia e crueldade em cada esquina….  quadro claro, límpido, que, se acaso um Deus houvesse, como IAHWEW, conforme relato bíblico, teríamos o mesmo destino de Sodoma, Gomorra, Admá, Zebolim e Bela, ou uma fingida Ninive que, de todo modo, seria destruída por apenas fingir seu arrependimento ou por sua insincera conversão…. (ou somos apenas uma representação do inferno, ou ele, o inferno seria pura continuidade, pelo menos para a maior parte da população do planeta como, parece, ter sido sempre?);.

Quando, diante de nossos olhos, esse novo mundo, em que temos mais informação, mais conhecimento, maiores condições de domínio sobre doenças, maior expectativa de vida, maior capacidade produtiva, mais “direitos”, maior igualdade entre homens e mulheres (mesmo que isso seja falso na maior parte do mundo), em que escravidão é algo abominável (embora ainda praticada em grande parte do mundo), maior proteção das crianças (embora elas continuem sendo violentadas, escravizadas, proibidas de ser crianças), em que se banalizou o uso de computadores, em que a comunicação nunca foi tão avançada, esse novo mundo ainda assim parece tão frágil, e seus ganhos parecem distribuídos quase que totalmente a uns poucos, pois há fome, há pés descalços, há prostituição infantil, trabalho infantil, tráfico de pessoas, tráfico de órgãos, produção de armas de destruição em massa, pessoas ganham a vida como mercenários, assassinando pessoas, promovendo golpes (protegendo propriedades muitas vezes roubadas), governos se sustentam graças ao medo, à força, ao poder da tradição, do dinheiro;

Peacekeeping - MINUSTAHQuando nossos modelos de vida e de homem/mulher são caricaturas de seres humanos e seus objetos de desejo (que os identifica e lhes dá status, mas que são vazios de sentido, como em outras culturas e momentos poderiam ter): roupas, sapatos, perfumes, relógios, automóveis, bebidas, praias paradisíacas (provavelmente particulares ou quase), mansões cinematográficas, sexo ilimitado, drogas, jogos, narcisismo dos mais tristes….;

Quando nos tornamos incapazes de avaliar esse mundo em perspectiva, e nossos profetas são pessoas como o sr. Francis Fukuyama, um falso profeta diga-se, mas cujas palavras foram apropriadas por gente mais esperta que ele. Quando esse profeta afirma: “Nunca vamos ter (…)um modelo de sociedade melhor do que a democracia orientada pela economia de mercado”, e não conseguirmos perguntar se  realmente somos tão cegos, tão sem criatividade e sem amor ao outro, a ponto de nos contentarmos com um destino desses, para o qual não haveria nada melhor, o mundo já acabou e nos tornamos menos que os indicadores que os tecnocratas usam para “descrever” o mundo e apontar “soluções”.

Nesse mundo é fácil, então, entender, porque a morte de milhares de crianças todos os dias, a fome diária de milhares de pessoas, a violência contra milhares de pessoas, indefesas, perdidas, os milhares de refugiados…. nada, nada, comove ou nos faz olhar para outro lugar, senão para os indicadores, como se eles fossem o real. Ouvir jovens economistas, bem alimentados, com seus ternos caros, perfumes famosos e mãos delicadas, dizerem, cheios de convicção, que “isso” é o melhor para os pobres, que isso trará maior igualdade, justiça, repetindo esse mantra que, jamais 101228-jack-230se confirmou (devem estar falando, então, como profetas de um mundo que somente será conhecido após a morte). É fácil entender porque não se pode mais usar palavras como “revolução”, “luta de classes”, “injustiça estrutural”, “dependência”, “colonização”, “império”, “oligarquia”, “bem comum”… coisa de ressentidos, assim como os miseráveis desse mundo são, apenas isso, ressentidos.

É, para mim, uma transmutação da “banalidade do mal”, é assim que se governam as nações hoje, cada vez mais, com o evangelho da economia “mundial”, do consenso de Washington, dos apóstolos Hayek e Friedman, em mãos, centenas de falsos profetas,  falsos pastores, bispos e seus seguidores, conduzem as almas idiotizadas à convicção de que não há “nada melhor”, que o “mérito” (graça? uma reedição de Calvino?) dos bem aventurados nesse mundo (a classe média?) é o sinal de que os desgraçados, os que “não chegaram lá” não se esforçaram bastante, a culpa de o mundo não estar melhor é deles…. acho que já sabemos onde isso levou o mundo mais de uma vez, parece que nos levará mais uma vez.

Cântigo Negro (José Régio)

regio‘Vem por aqui’ – dizem-me alguns com olhos doces,
estendendo-me os braços,
e seguros de que seria bom que eu os ouvisse quando me dizem: ‘Vem por aqui’!
Eu olho-os com olhos lassos, ( há nos meus olhos ironias e cansaços) e cruzo o braços, e nunca vou por ali.
Não, não vou por aí! Só vou por onde me levam meus próprios passos…
Se vim ao mundo, foi só para desflorar florestas virgens e desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada. Ide!
Tendes estradas, tendes jardins, tendes canteiros, tendes pátrias, tendes tetos, e tendes regras, e tratados, e filósofos e sábios.
Eu tenho a minha Loucura! Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura, e sinto espuma, e sangue e cânticos nos meus lábios…
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções! Ninguém me peça definições! Que ninguém me diga: ‘vem por aqui’!
Não sei por onde vou, não sei para onde vou, sei que não vou por aí!”

Ruminâncias V

Ruminâncias V (ou, que nos faz desejar viver?)
(24/11/04)

Estar seco – no sentido bíblico, infértil
Nada para nascer ou vomitar
Vazio, apenas ecos, mesmidade
(Isso) é o que vejo, é o que me traduz

As metáforas me fogem20131027-010357.jpg
As metonímias me dominam
A poesia não me quer brotar
E o real me quer dizer

Que a apatia não me crie morada, rezo
Que o “real” não me adormeça, desejo
Que o outro me seja relevante, anseio
Que o caminho me seja novo, preciso

Tudo está subordinado às exigências e à conservação do Capital

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Ustedes permanecen “esclavos, esclavos de ese moderno señor que no usa espada, no ciñe casco guerrero, ni habita almenados castillos, ni es héroe de alguna epopeya: sois esclavos de ese nuevo señor cuyos castillos son los bancos y se llama el Capital.
Todo está subordinado a las exigencias y a la conservación del Capital. El soldado reparte la muerte en beneficio del Capital; el juez sentencia a presidio en beneficio del Capital; la máquina gubernamental funciona por entero, exclusivamente, en beneficio del Capital; el Estado mismo, republicano o monárquico, es una institución que tiene por objeto exclusivo la protección y salvaguarda del Capital. El Capital es el Dios moderno, a cuyos pies se arrodillan y muerden el polvo los pueblos todos de la Tierra. Ningún Dios ha tenido mayor número de creyentes ni ha sido tan universalmente adorado y temido como el Capital, y ningún Dios, como el Capital, ha tenido en sus altares mayor número de sacrificios.”
(MAGÓN, Ricardo Flores. Antologia. México: Unam, 1972, p. 60).

Pensando Pessoa

rbd-fernandopessoaNão me falo aos outros.

É realmente duro ter de estar todos os dias at home para a Asneira e ter de a entreter com chá de banalidades e bolos de transigência.

O facto  é que isto da gente se sentir socialmente enterrado vivo é muito desagradável. E então a tampa do caixão das convenções está tão bem soldada! Algumas pessoas porém sentem a necessidade imperativa de bater nessa tampa, ainda que apenas esfolem os dedos. E depois não está hermeticamente fechada; pode-se respirar o bastante para se saber que não se pode respirar.

(para uma bebedeira de caixão à cova)

(PESSOA, Fernando. Escritos autobiográficos, automáticos e de reflexão pessoal. São Paulo: A Girafa Editora, 2006, p. 142-143)

Walter Benjamin – Rua de Mão única – Infância berlinense: 1900

Número 113

As horas que em si contém a forma

Foram passadas na casa do sonho

Subterrâneo

Já faz muito benjaminque esquecemos o ritual segundo o qual foi construída a casa da nossa vida. Mas no momento em que vai ser tomada de assalto e já rebentam as bombas inimigas, quantas velharias ressequidas e bizarras estas não põem a descoberto nos alicerces! Quantas coisas não foram sepultadas e sacrificadas sob fórmulas mágicas, que coleção de curiosidades mais horripilantes não descobrimos lá embaixo, onde as mais fundas galerias são reservadas ao que há de mais banal na vida quotidiana! Numa noite de desespero vi-me a renovar entusiasticamente, em sonhos, os laços de amizade e fraternidade com o meu primeiro camarada dos tempos de escola, de quem não sei nada há dezenas de anos e de quem praticamente nunca me lembrei neste espaço de tempo. Mas, ao despertar, tudo se tornou claro. Aquilo que o desespero tinha desenterrado como uma carga de explosivos era o cadáver desse homem, que ali estava emparedado e me dizia: quem alguma vez aqui viver em nada se lhe deve assemelhar.

(BENJAMIN, Walter. Rua de Mão Única: Infância berlinense : 1900. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2013, p. 10-11)

Falácias e sofismas, porque devemos nos interessar por Lógica e por ciência

Lógica é algo que dever-se-ia discutir e “exercitar” todos os dias, assim como ciência, como antídoto à idolatria (conforme define Bacon os ídolos que deveríamos abandonar – porque somos tão ingênuos que adoramos certos ídolos sem nos perguntarmos se são dignos de o serem, adorados).

Claro que há cientistas idiotas e lógicos asnos, cientistas sem coração, quase não humanos (se podemos dizer) e lógicos capazes de atrocidades, ou seja, lógica e ciência não garantem dignidade, nem bondade, nem solidariedade, nem bom senso…. mas continuam sendo armas poderosas para melhor nos preparar no enfrentamento de mentiras, de crenças tolas, de idiotas e de espertalhões, sejam políticos, professores, “lideranças”, vendedores etc. Óbvio que não precisamos de lógica ou de um treinamento em ciência para sermos espertos ou usarmos adequadamente o bom senso, apenas acho que são ferramentas úteis.

Falácias as cometemos cotidianamente, são erros de raciocínio, de argumentação, de cujos erros não nos damos conta facilmente ou que, por hábito, repetimos e, assim, não mais questionamos ou temos condição objetiva de questionar, sem que algo especifico aconteça para nos chamar a atenção ou que alguém nos auxilie a olhar com mais cuidado e, assim, nos corrigir.

Sofismas são outro caso, são deliberados, são usados para enganar, igualmente são erros ou argumentos construídos sobre o falso com a intenção de enganar aquele para quem se dirige.

De toda forma, podem ser tratados juntos, pois a questão da intenção não se relaciona com a análise dos erros. Vejamos alguns sofismas/falácias que deveríamos estar sempre (re)visitando, consciente e criticamente:

1) Argumento da autoridade (ou apelo à): Uma proposição é considerada verdadeira por causa da posição ou da autoridade de quem a emite. Poderíamos descrevê-la assim:

X(autoridade idônea) afirma P

(logo) P é verdadeiro

 2) Argumento “ad hominem” (Contra a pessoa = contra o homem): Ataca-se a pessoa ao invés de ao argumento. É uma forma de “reductio ad Hitlerum” (ou jogando com as cartas nazistas. Termo cunhado por Leo Strauss, em 1950, que serve para desqualificar qualquer argumento por sua possível relação com Hitler ou com os nazistas. Quando não há mais argumentos contra pode-se encerrar a discussão agressivamente desqualificando o oponente).

Poderia ser assim enunciada:

X(autoridade inidônea*) afirma P

(logo) P é falso

*inidônea aqui por uma característica sócio-econômica ou cultural = pobre, analfabeto, mulher, homossexual, preto etc (as questões de gênero e “raça” ou étnica encaixam-se igualmente aqui).

3) Argumento da maioria (“apelo à crença”, “apelo à maioria”, “apelo ao povo”) = Argumentum ad populum. Uma proposição é considerada verdadeira porque muitas pessoas acreditam que ela seja.

pode ser anunciada assim:

X(maioria) afirma P

(logo) P é verdadeiro

4) Apelo à probabilidade. Assume-se que porque algo poderia (probabilidade) acontecer, inevitavelmente acontecerá. (isso lembra Murphy e sua “lei”).

X é provável, (logo) X acontecerá.

5) Argumento da repetição (argumentum ad nauseam). Algo que tenha sido discutido exaustivamente (por pessoas diferentes, acredita-se) acaba não sendo mais objeto da atenção de ninguém, ou deveria ser, portanto ignorado, por não ter mais nada de novo a ser considerado.

X, Y e N pessoas afirmam que P

(logo) nada novo pode ser afirmado (sobre P)

É comum ouvirmos coisas como: ninguém aguenta mais falar sobre isso; lá vem você de novo falar sobre isso; isso já foi tratado por beltrano, sicrano etc; isso não leva a nada….

6) Apelo ao ridículo. Como outros argumentos que apelam à emoção, este é utilizado quando se presente ou se deduz o argumento do oponente e, antecipadamente, utilizam-se recursos para fazê-lo parecer ridículo.

X usará Y para defender P

ridiculariza-se Y para que X sinta-se emocionalmente afetado

X desiste de usar Y para defender P

7) Argumento da ignorância (ou apelo à ignorância). Assume-se que algo é verdadeiro/falso pelo simples fato de não ter sido provado que era falso/verdadeiro.

X não provou que P (é falso)(é verdadeiro)

logo P (é verdadeiro)(é falso)

Algo assim: O preso não conseguiu provar que não roubou, logo ele deve ter roubado.

8) Petição de princípio (petitio principii) (begging the question). A conclusão de um argumento é implícita ou explicitamente assumida em uma das premissas. Ou a conclusão “repete” o que está na premissa. Seria uma falácia não formal em que se tenta provar uma conclusão com base em premissas que já a pressupõem como verdadeira. Para alguns seria um argumento circular, uma tautologia (já voltaremos a ela).

Um exemplo clássico é o argumento de René Descartes sobre a existência de Deus = “sendo a ideia de Deus a ideia de um ser perfeito, a um ser que fosse perfeito não poderia faltar a existência, de modo que Deus, portanto, existe”.

pode ser assim enunciado:

X não pode acontecer, porque não coisas como X não acontecem.

Eu não conseguirei, porque homens com sobrepeso não conseguem, eu tenho sobrepeso.

Eu não minto filha, porque os pais não mentem.

9) Tautologia. A rigor não seria uma falácia. Seria uma proposição (logicamente) verdadeira, mas que não acrescentaria nenhuma informação nova sobre aquilo de que fala.

Exemplo: um triângulo é um polígono de três lados. o círculo é redondo.

Apenas um exercício, sem pretensões, sem rigor.  Correções serão bem vindas. Outros itens poderão ser acrescidos, em outro momento.