Arquivo mensais:agosto 2015

NOTAS DE UMA VIAGEM INESPERADA – parte 2

Conheço Apodi, no interior do Rio Grande do Norte, desde 1976, quando ainda estavam vivos meus tios e meus avós. Voltei depois, já no final da década de 80, quando já era um jovem trabalhador, mas também participante da Pastoral da Juventude da Igreja Católica (e, a partir daí, com contatos com a Comissão Pastoral da Terra, com a Pastoral de Juventude Estudantil e Pastoral de Juventude Universitária, além de atividades que nos aproximaram das poucas CEBs existentes no Distrito Federal, e círculos bíblicos que ajudávamos a animar, primeiro na Vila dos Parafusos – uma ‘favela’ depois removida para a recém criada Samambaia, para onde seguimos também).

 

A religiosidade logo logo foi transformada pelo contato com a Teologia da Libertação e pela Filosofia da Libertação. Então, não foi estranho para mim e para meus amigos de grupo de jovens, nos filiarmos ao Partido dos Trabalhadores (mesmo que jamais tenhamos conseguido nos inserir plenamente na dinâmica partidária, nós, os ‘igrejeiros’, tínhamos maior afinidade com os movimentos sociais e pouca vocação para a burocracia e a luta por cargos). Essas duas coisas, quando do meu retorno à Apodi foram importantes. De cara, percebi a diferença entre o que fazíamos em Brasília e o que os jovens faziam lá, no Nordeste. Eles eram muito mais ousados e não tinham medo de mostrar de forma clara a relação entre sua ação pastoral e a atividade político-partidária. (infelizmente, não vejo nem sombra disso hoje, mas foi um momento importante na história de muitas lideranças naquela parte escondida do país).

Ocupação do o perímetro irrigado Jaguaribe-Apodi (maio de 2014), por cerca de 800 famílias de agricultores e agricultoras dos municípios da região Jaguaribana - parceria com movimentos sociais, pastorais e paróquias da Diocese de Limoeiro do Norte.

Ocupação do o perímetro irrigado Jaguaribe-Apodi (maio de 2014), por cerca de 800 famílias de agricultores e agricultoras dos municípios da região Jaguaribana – parceria com movimentos sociais, pastorais e paróquias da Diocese de Limoeiro do Norte.

 

 

Depois de tantos anos, de várias idas e vindas à Apodi – e de quase ter mudado para o Nordeste (justamente porque me animava a energia diferente da juventude e da dinâmica das cidades pequenas), hoje não consigo ver com animação o que restou daqueles jovens com quem tive contato um dia, nem do em que se tornou a política de esquerda. A cidade mudou pouco, os ‘donos’ da cidade, velhos políticos, comerciantes, a destruição da coisa pública, a fofoca, a mesquinharia etc ainda estão ali. Claro que há também jovens, agora ligados nas redes sociais, com seus celulares, motocicletas (uma praga que domina a cidade hoje), o PT elegeu o prefeito…. mas tudo ainda é amador, as pessoas vivem de bico, ou de cargos na prefeitura, são pequenos comerciantes (há alguns grandes, claro) ou professores (tirando isso, temos funcionários do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, dos Correios e os bem empregados da Petrobrás).

Bom, agora com um olhar bem distinto, interesses diversos, fiz algumas anotações para um investigação futura:

1 – A linguagem do parentesco e a dinâmica mesma da parentela. Acredito que há algo de promissor nessa seara.

1.1 – as pessoas se tratam de formas diversas: gostam e adotam apelidos para todo mundo, muitas vezes como diminutivos dos nomes próprios: Mundinho, Mundinha, Chichico, Totô, Corrinha, Toinha, Tonho…

1.2 – outras vezes, para evitar confusão, liga-se o nome (ou apelido) a um terceiro (pode ser o pai, o avô, o dono da casa etc): Zezinho de Chichico, Mundinha de Julio etc

1.3 – há ligação do nome com localidades, sejam bairros, sejam outras cidades ou ‘vilas’: os Ferreiras de Assu, os Marinhos de Cabrobó….

1.4 – o parentesco é usado para – parece óbvio (mas não tanto) – marcar a proximidade ou força-la: “minha mãe era prima legitima de dona Clotildes, sua mãe”; “Abel era primo de papai”; “quando for a Martins, procure Antonio de Josefa, que é tio legitimo de seu pai”;

1.5 – O compadrio também cria laços quase como de parentesco, muitas vezes até mais fortes do que entre parentes ‘de sangue’: “padrinho foi quem me deu”; “morou lá em casa, era quase uma irmã, afilhada de mamãe”;

1.6 – o sobrenome ainda é uma marca importante, principalmente se o nome de ‘família’ remete a personagens importantes na história local, estadual ou regional: “Aquilo é terra dos Ferreiras”; “Os Carneiros são assassinos terríveis”; “É da família dos Alves, por isso é tão abusado”; “Os Rosado dominam a região”.

Valeria a pena verificar o que há de específico e o que é compartilhado com outras regiões e estados do Nordeste, bem como o vínculo com, principalmente, os portugueses. Infelizmente, embora haja um interesse pela história da povoação da região e do RN como um todo, não há trabalhos sistemáticos, nem há nada avançado em termos de genealogia (como existe em Pernambuco, por exemplo). No que toca ao sobrenome Raposo, pelo menos, espero ter algum fôlego para retomar antigas buscas.

 

2 – Era muito comum que crianças fossem morar na casa de outras pessoas, mesmo não parentes, inclusive e principalmente para ‘ajudar’ ou trabalhar. Conheci casos diversos: mães que ‘dão’ os filhos (por considerarem que não podem ‘criá-los’), meninas que começam a trabalhar como babá já por volta dos 12 anos (uma criança cuidando de outras), crianças que ‘preferem’ morar com os avós ou tios. Tem algo de interessante aqui para discutir a ideia de família e da questão moral em torno do trabalho infantil (sem excluir casos sempre possíveis de abuso).

3 – Há uma quantidade elevada de solteiros na cidade, muito alto. Há tanto homens quanto mulheres solteiras, embora as mulheres pareçam mais ‘visíveis’. As motivações são diversas: considerar que os pretendentes da cidade não são dignos – e aqui pode haver uma pressão da família pelo não envolvimento com conterrâneos; os mais novos (ou menos ‘espertos’) ficarem para ‘cuidar’ dos pais; preferências de casamentos com certas famílias (o que implica que, ocasionalmente, alguém fique ‘pra titia’, por faltar candidatos); falta de ocupação por parte dos homens etc. Então é comum ver mulheres e homens  morando com seus pais idosos, vivendo ou administrando suas aposentadorias. Isso nos leva à questão dos idosos.

3.1 – Por outro lado, os casamentos acontecem ainda muito cedo. Do mesmo modo, há muitas ‘donas de casa’, mesmo que a mulher tenha ‘estudado’, se formado.

4 – Há um contingente enorme de ‘velhos’, pois há uma expectativa de vida bastante elevada. Encontramos facilmente senhores e senhoras com idade entre 80 e 90 anos. Mas também há muitos com idade acima de 90. Meu avô morreu com 103 anos, minha avó com 85 anos (e notícias de que meu bisavô materno morreu com mais de 100 anos também). Parece razoável vincular essa população de idosos (que sempre existiu) com a questão do contingente de solteiros, mas igualmente com a memória, coisa cara à cidade.

4.1 – Estranhamente a cidade está repleta de míopes. Em qualquer lugar que se vá, encontramos dezenas de pessoas com óculos com ‘fundo de garrafa’. É tão impressionante que é impossível não ter a atenção despertada por isso. Na missa de sétimo dia do falecimento da minha tia, motivo pelo qual viajei à Apodi, a Igreja estava lotada de idosos e de míopes, impressionante. Mas há mais. É comum as pessoas ‘ficarem cegas’, pois a quantidade delas com problemas de catarata é absurda, muitas das quais não tratam em tempo ou adequadamente. Acredito que o problema é de interesse para pesquisadores da área de saúde.

5 – A educação é um valor, mas ao mesmo tempo questiona-se seu sentido, num lugar em que há pouco emprego qualificado (se alguém estiver interessado em algo assim, vai embora da cidade). O nível superior, fazer uma faculdade, frequentar uma universidade, não é algo que valha por si, pois a distância e o sacrifício exigido para seguir um curso superior seja em Mossoró ou em Natal são por demais grandes, motivo pelo qual, tendo em vista um horizonte turvo para empregos de maior especialização, a maioria abdica de seguir depois do ensino médio.

5.1 – De fato, as mulheres, principalmente em povoados próximos (ligados ao município), são desincentivadas a estudar – algumas vezes são ameaçadas pelos maridos. Além disso, para estudar, muitas vezes é necessário deixar os parentes – e isso parece sempre traumático.

6 – Fazer bico, ‘ajudar’ no negócio da família, abrir um pequeno negócio, trabalhar por empreitada, isso é bastante comum. O desejo de muitos é trabalhar para o Estado ou para o município. Comum trabalhar em outro município e retornar de noite, pela manhã ou no fim de semana.

7 – Apesar da instalação de igrejas evangélicas, principalmente pentecostais (como Asssembleia de Deus), a religião predominante é católica. Não houve um arrefecimento como eu esperava, o catolicismo ainda tem sua importancia e uma presença marcante na vida dos moradores de Apodi.

8 – O preconceito de cor, racismo. Os habitantes, em sua maioria, são descendentes de portugueses, e os negros (pouco vistos) são objeto de comentários racistas (muito embora jamais tenha testemunhado algum tipo de ataque direto, nem violência contra negros). De toda sorte, os negros são minoria e, em geral, moram em bairros pobres. Apodi não é o único caso. A cidade ou povoamento estava ligado à Port’alegre, depois emancipou-se. A história do povoamento da região conta com massacre de indígenas e apropriação de suas terras (muitos habitavam ao redor da Lagoa de Apodi).

9 – Desta vez, não pude verificar um outro fato interessantíssimo: a quantidade de homossexuais, de ambos os gêneros. Na década de 90, havia um grande contingente de travestis, bem como de lésbicas. Encontravam-se com frequência, principalmente no ‘centro’ da cidade. Inclusive lembro de dois irmãos, ambos talentosos com bolos, bem conhecidos. Tive algumas amigas que moravam juntas, como casal, com direito a turbulências no relacionamento amoroso. O mais importante, de novo, era o como isso parecia natural (o que não quer dizer que fosse tranquilo ou que não houvesse resistência de alguns), de forma que jamais testemunhei violência ou ofensa a essas pessoas. Para mim, nos anos 90, ter conhecido tantas lésbicas num lugar tão pequeno e, parecia, perdido no tempo e no Brasil, sempre me chamou a atenção.

10 – A fofoca continua sendo um item marcante (e sei que não é um problema do local), talvez fundamental. Uma certa tensão costuma se fazer presente nas conversas, o conflito (sempre há um) parece fazer parte do cotidiano.

11 – Por fim, embora jamais tenha testemunhado sequer uma briga, a região é conhecida por ter sido palco de assassinatos (os Carneiros são conhecidos como violentos, assassinos), inclusive por parte de cangaceiros (no começo do século XX).

 

Cordel - Cangaceiros em Apodi

Essas anotações podem não estar corretas, mas servem como indicadores (para mim) de possível pesquisa futura – se ainda restar interesse e energia em retornar a essa terra quente.

 

 

 

NOTAS DE UMA VIAGEM INESPERADA – parte 1

Rio Grande do Norte, cultura, má gestão, petróleo e a Halliburton, tudo num saco só.
 

I (tinha um aeroporto no caminho, no caminho tinha um aeroporto)

Tive que fazer uma viagem não planejada ao Rio Grande do Norte. Aeroporto novo (pelo tamanho e o de que ele dispõe, fico me perguntando o porquê da decisão de construir um novo aeroporto naquele Estado), acesso terrível para quem vem do interior do Estado.
O novo aeroporto ficou longe de Natal, a capital, o transporte para a cidade é caro, não se fala em ônibus expresso, nem se cogitou um VLT, rápido e barato. As Vans e os Taxistas ganham com isso. Bom. Muitas questões a serem postas, inclusive sobre quem ganhou e continua ganhando com isso.
(novo) Aeroporto de Natal

(novo) Aeroporto de Natal

II (um Estado desgovernado)

As coisas mais intrigantes, porém, não dizem respeito a esse aeroporto.
O Rio Grande do Norte é um mistério quanto à má gestão (ou da incapacidade de seus governantes), tirando um prefeito aqui outro ali (acredito que só não perde para o Maranhão).
Mesmo com uma costa magnifica e grande potencial turístico, o que se vê é descaso e improviso, gastos inadequados, falta de manutenção, destruição da natureza.
Apesar da Caatinga, há grande potencial agrícola, principalmente para frutas (lembrar que o Estado é (pelo menos até o ano de 2014) o maior exportador de melão do país).
Piscicultura seria outra vocação interessante na qual se investir, mesmo que fosse apenas pelo camarão (carcinicultura), mas aqui também vemos o improviso driblar as oportunidades. O Ceará rapidamente assumiu a dianteira e tornou-se o maior produtor de camarão do país (com pescado de melhor qualidade). De toda sorte, só o camarão não salvaria a economia do Estado.
 

III (a cultura, a produção intelectual, os donos do Estado)

O Rio Grande do Norte tem nomes importantes para a cultura e para a história do país, como a fundamental Nisia Floresta, educadora, poetisa e escritora – considerada pioneira do feminismo no Brasil; a poetisa Alta de Sousa; o escritor Henrique Castriciano (irmão de Alta de Sousa); o escritor Homero Homem; o dramaturgo, poeta, desenhista e pintor brasileiro Newton Navarro Bilro; o folclorista e historiador Luís da Câmara Cascudo, entre tantos outros.
Newton Navarro Bilro

Newton Navarro Bilro

Homero Homem

Homero Homem

Luís da Câmara Cascudo

Luís da Câmara Cascudo

Henrique Castriciano

Henrique Castriciano

Auta de Souza

Auta de Souza

Nisia Floresta

Nisia Floresta

No entanto, o de que lembramos hoje é da desgraça que acomete o Estado por meio de seus políticos. Assim como em outros lugares do Brasil (senão em todo ele), o domínio de famílias sobre o (des)governo do Rio Grande do Norte é uma maldição. A força da tradição e o uso da própria máquina do Estado para manutenção dessas famílias como ‘donas’ dos recursos torna difícil enfrentá-las de forma efetiva, fazendo com que o cidadão comum aceite as poucas opções que se lhe apresentam e que as experiências fora do ‘esquema’ dos donos do poder, quase nunca resultem em mudanças significativas (ao contrário, às vezes, a impressão é de que as coisas pioraram).
Se no passado, a educação foi um importante instrumento de inclusão, se o RN teve sua Nísia Floresta, o que se vê hoje é uma educação de baixa qualidade (a despeito da luta de tantos e competentes professores) e um desestímulo aos jovens que veem, quando muito, sentido mais no ensino profissionalizante do que na formação superior. A ideia de ‘trabalhar para o Estado’ (o que implica exercer algum cargo também em prefeituras – que seja ocasionalmente) é forte o bastante para ajudar no desestímulo. Algo a ser explorado mais a frente (por mim).

IV (O Petróleo)

A história do petróleo no Rio Grande do Norte data do século XIX, mas somente na década de 40 do século XX temos notícia de perfurações e, de fato. Embora em 1966, em Mossoró, por iniciativa da prefeitura, durante a perfuração de um poço d’água, tenha jorrado petróleo, o primeiro poço, com sucesso, feito pela Petrobrás, ocorreu em 1973, após a descoberta do campo marítimo de Ubarana.
Em 1976, começam as atividades de exploração do petróleo no Estado. Em 1994, o Estado alcançou a marca de maior produtor terrestre de petróleo do país, sendo o segundo em produção total. Em 2000, atingiu a a marca de 4000 poços terrestres e de 200 poços marítimos na Bacia Potiguar. Embora, por muito tempo, o petróleo não fosse de qualidade (óleo mais pesado), em 2013 anunciou-se a descoberta de um poço (Pitu) em águas profundas que, comprovou-se, ser viável e de excelente qualidade, dando um alento à exploração que, apesar da marca alcançada em 2000, vinha sofrendo em redução da produtividade e com o custo (por sua qualidade inferior).
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Enfim, o petróleo é importante para o Estado, tanto aquele explorado em água, inclusive agora profundas, como pela exploração em terra (são 15 municípios produtores de petróleo e gás natural no Rio Grande do Norte). Inexplicável, portanto, porque se vê tão pouco dos bilhões em investimento e porque não se tem uma máquina administrativa moderna e uma gestão (que seja apenas na capital) menos amadora e, igualmente, mais moderna.
 

IV.1. (A Halliburton)

Pois bem, voltando à viagem.
Indo de São Gonçalo do Amarante, onde está localizado o novo aeroporto, para Apodi, no interior, passo, entre outros lugares, por Mossoró (a segunda maior cidade do Estado) e vejo, distante apenas a cerca de 1,5 km da base da Petrobrás uma filial da Halliburton. Isso me deixou bastante incomodado e faço questão de indicar o porquê.
 
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Para quem não sabe ou não lembra, como indicado por Noemi Klein, a Halliburton, junto com ISRAEL e PETRÓLEO, é uma das razões da Guerra e destruição do Iraque. Faturando muito.
Noemi Klein

Noemi Klein

doutrina do choque

Halliburton (mas não só ela, claro) é sinônimo de Capitalismo de Desastre (de novo a Klein). A empresa foi administrada, entre 1995 e 2000, pelo vice-presidente americano no governo de George Bush, Dick Cheney. Na ‘reconstrução’ do Iraque (cujos gastos, em 2013, estavam calculados em 138 bilhões de dólares – apenas o que foi pago a empresas), a Halliburton faturou, sem licitação, só por meio de sua filial, a Kellogg Brown & Root, cerca de 40 bilhões de dólares. Inicialmente deveria prestar serviço para apagar incêndios em poços de petróleo, mas descobriu-se depois que o contrato incluía a possibilidade de “operação e distribuição de produtos”, ou seja, extração e distribuição de petróleo.
Dick Cheney

Dick Cheney

Dick Cheney

Dick Cheney

De toda sorte, em 2010, com o governo Obama, a Halliburton teve que desembolsar 550 milhões de dólares para o governo, a fim de livrar a Kellogg Brown & Root de processos por corrupção.
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A Halliburton está no Brasil faz algum tempo e tem trabalhado com a Petrobrás, disso sabemos. Aliás, não apenas sabemos disso como não podemos esquecer de coisas fundamentais: em janeiro de 2008, a Petrobras anunciou o achado de uma reserva gigante de gás, que recebeu o nome de Campo de Júpiter – localizado a 37 km do mega-campo de petróleo de Tupi, na bacia de Santos. Esse campo, teria uma reserva de cerca de 13 bilhões de barris, colocando o país entre os quatro maiores produtores mundiais de hidrocarbonetos.
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Navio-plataforma FPSO "Cidade de Angra dos Reis" instalado na área de Tupi, Bacia de Santos - 28/10/2010 - Foto: Agência Petrobrás de Notícias

Navio-plataforma FPSO “Cidade de Angra dos Reis” instalado na área de Tupi, Bacia de Santos – 28/10/2010 – Foto: Agência Petrobrás de Notícias

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Pois bem, a prospecção do Campo de Júpiter foi realizada pelo navio-sonda NS-21 e os dados da atividade foram acumulados em laptops e transferidos para a terra e, em seguida, enviados em um contêiner que seguiria para Macaé/RJ. Acontece que chegou ao Porto do Rio em 25 de janeiro, esperando até o dia 29 de janeiro para ser transportado. A empresa Transmagno era a encarregada do transporte até Macaé, o que deveria durar 3 (três) horas pela rodovia. Choveu nesse dia e o motorista teria feito uma parada em Itaboraí, onde passaria a noite num posto de gasolina à beira da rodovia. Chegando em Macaé, ficou comprovado que houve violação dos lacres do contêiner e a substituição do cadeado.
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Ao final dessa ‘brincadeira’, constatou-se que faltavam quatro laptops, dois discos rígidos, quatro pentes de memória com informações, outro computador, uma impressora e um gravador de DVD. Mas, o pior, como ficamos sabendo depois, é que toda a informação sobre a reserva do Campo de Júpiter estava contida nos equipamentos furtados., segundo notas da Petrobras, tratava-se de informações “estratégicas e sigilosas”, ou, como disse alguém, de “segredo de Estado”) .
A Transmagno era apenas uma subcontratada da Halliburton, isso está certo. A questão ainda hoje sem resposta convincente é entender porque a Halliburton, uma concorrente (sabe-se que nada honesta) – ou operadora de outras empresas concorrentes- da Petrobrás, teria sido encarregada de fazer o transporte de informações tão importantes para o país e para o destino da maior empresa brasileira.
Interessante verificar como a Halliburton passa a ter tanto (e muito) interesse na prospecção e exploração de petróleo em águas profundas, tendo já anunciado seu interesse em ‘ampliar’ sua atuação no Brasil, com uma previsão de maior presença entre nós exatamente entre 2014 e 2015. Aposta na vitória do PSDB? Aposta no jogo já em andamento para minar a Petrobrás aqui e lá fora? Ela mesma, de posse de informações (roubadas?) teria se preparado para dominar parte do mercado nacional (e aí talvez não seja ingênuo perguntar se ela tem algo a ver com as pancadas em cima da Oderbrecht)?
teoria da conspiração?